O HEM (Hospital Espírita de Marília) começou neste ano a atender pacientes dependentes de jogo. A ampliação desse atendimento para outros tipos de dependências não-químicas, como o vício pela internet, já está em estudo e poderá ser implementada pelo hospital.
Segundo o diretor clínico do HEM, o clínico geral e especialista em dependência química Arlindo Ferreira Júnior, os pacientes dependentes de jogo são atendidos na ala Allan Kardec, ala para pacientes particulares e de convênios onde são tratados psicóticos e dependentes químicos.
A ala conta com 38 leitos e não há número de leitos específico para o dependente de jogo. Segundo o médico, depende do número de leitos livre.
A procura tem sido pequena, talvez pelo fato de o serviço não ser disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde): desde o início do ano, foram tratados quatro pacientes.
“As técnicas para se tratar o dependente de jogo se aproximam das técnicas para tratamento de dependentes químicos”, destacou o médico.
Ele diz que a dependência do jogo pode vir associada a transtornos de ansiedade, do humor e também a outras dependências, como álcool e drogas.A idéia de abrir a ala para este tipo de paciente surgiu da falta de serviços que tratam o dependente patológico do jogo.
Durante o tratamento o paciente faz psicoterapia em grupo, em que relata o problema e passa a conviver com pacientes dependentes químicos e também de jogo. Após sair do hospital, o paciente deve continuar o tratamento ambulatorial e a indicação é que participe de grupos de auto-ajuda.
“No entanto, não temos esses grupos em Marília, apenas o Alcoólicos Anônimos e o Narcóticos Anônimos. Em São Paulo há grupo de auto-ajuda para dependentes de jogos”, disse.
Ele diz que diversos fatores psicossociais - problemas na família ou ocupacionais – e fatores genéticos podem estar relacionados com as causas da dependência do jogo.
A dependência do jogo pode ser diagnosticada quando passa a prejudicar o convívio familiar, o trabalho e as atividades sociais do indivíduo.
“O dependente passa a pensar única e exclusivamente no jogo, deixando as outras atividades de lado. Quanto mais perde, mais quer jogar, passa a gastar todo o salário e começa a vender os objetos de casa.”